Análise de Conjuntura nº 02/2026 - Mais do que nunca é hora de luta!

 Consolidado em 14 de outubro de 2026.


Mais do que nunca é hora de luta!


1) Algumas determinantes dos resultados eleitorais do primeiro turno:


a) O primeiro turno das eleições de 2026 revelou um forte avanço político, institucional e ideológico da extrema-direita, que não só ganhou a disputa presidencial, mas ampliou consideravelmente sua presença nos governos estaduais, nas assembleias legislativas, no Senado e na Câmara Federal. Esse crescimento se deu principalmente sobre os partidos de centro-direita (Centrão), que tiveram suas bancadas reduzidas em todas essas esferas. A esquerda conseguiu manter em grande medida sua presença institucional, apesar de certo recuo no plano estadual, o que expressa um movimento de radicalização política, com forte acento à direita. No entanto, a adesão ao lulismo por parte de setores da esquerda socialista radical, que conseguiram expressiva votação, tenderá dificultar a mobilização popular autônoma diante de um hipotético governo Lula IV. Esses resultados dão à extrema-direita força institucional para barrar movimentos de democratização e de reversão da pauta política e econômica do golpe de 2016 (democracia restrita e contrarreformas neoliberais) por dentro da ordem, o que demanda que a pauta dos trabalhadores e demais classes subalternas se apoie sobre forte organização e mobilização classista e autônoma.


2) As principais razões para tais resultados são as seguintes:


a) A baixa popularidade do governo Lula III, caracterizado por ser um governo fraco, desmobilizador e de direita, que além de se comportar como fiador da pauta política e econômica do golpe de 2016 (com destaque para a austeridade fiscal e elevadas taxas de juros), que o impediu de entregar à população políticas e benefícios que pudessem fazer frente às péssimas condições socioeconômicas por ela vivenciadas, também foi passivo diante do crescente colapso ambiental. A essa política de governo se somou a recusa de combater efetivamente o bolsonarismo em função de cálculo político oportunista e eleitoreiro.

b) O golpismo bolsonarista em curso, focado em confrontar a institucionalidade para impedir o debate político-programático, interferir nos resultados eleitorais e mobilizar sua base social pela violência política e pela intolerância ideológica. Para tanto, conta com o apoio orgânico do TSE e de partes do STF, que atuam de maneira claramente parcial no processo eleitoral; do governo Trump, big techs e empresas estadunidenses, que buscam desestabilizar o governo Lula III e isolá-lo diplomaticamente, bem como brindar a campanha bolsonarista com enorme gama de recursos financeiros e tecnológico-midiáticos; e das redes sociais bolsonaristas, voltadas para a disseminação de fake news e do discurso de ódio.

c) A postura oportunista e autocrática das frações não-bolsonaristas do grande capital e seus representantes políticos e midiáticos, que buscaram fazer a eleição avançar para o segundo turno a fim de arrancar de Lula o compromisso com uma pauta neoliberal ainda mais extremada, e de Flavio Bolsonaro o compromisso com a manutenção da democracia restrita, mas declinando de processos de endurecimento do regime.


3) Cenários possíveis:


a) Em caso de vitória de Bolsonaro no segundo turno é provável que Lula se transforme num “pato manco” no que lhe resta de mandato, com a aprovação de medidas que já iniciem o processo de endurecimento do regime e de extremização do neoliberalismo, mas que podem lhe ser debitadas politicamente à medida que ocorreriam em seu governo. Já na condição de governo, com o apoio da extrema-direita e de setores do Centrão presentes na própria composição do seu governo, dará continuidade a três movimentos: em termos políticos nacionais, buscará esvaziar os poderes do STF, criminalizar ainda mais lutas sociais e organizadas dos trabalhadores, blindar os esquemas de corrupção via controle patrimonialista de verbas e cargos públicos, e intensificar a repressão política e policial; em termos econômicos, buscará promover um ajuste fiscal ainda mais restritivo, radicalizar os processos de privatização e desregulamentação econômica e financeira; em termos de política externa, buscará estreitar os laços econômicos, políticos, diplomáticos e militares com o governo Trump, alinhar com governos de extrema-direita na América Latina e reduzir a presença do Brasil nos BRICS a uma condição figurativa ou mesmo de desestabilização interna orientada pelos Estados Unidos. A aplicação deste programa deve aprofundar a crise política e econômica, causando forte descontentamento popular e dissensões interburguesas, aos quais o governo Bolsonaro deve responder com mais repressão, bem como deve avançar processos de subordinação política, econômica e cultural neocolonial da sociedade brasileira ao hegemon hemisférico. No entanto, a possibilidade de um acordo interburguês contra o mundo do trabalho, em favor da estabilização política e de um novo regime que sufoque a rebeldia popular, e de capitulação incondicional aos Estados Unidos, é real.

b) Caso Lula ganhe o bolsonarismo e o governo Trump devem questionar o resultado eleitoral, colocando em xeque a posse e intensificando o golpismo. Uma vez empossado, considerando o que historicamente foram os governos Lula, o novo governo deverá ter grandes dificuldades para coesionar governabilidade, preservação dos interesses do grande capital e encaminhamento de pautas de interesse dos trabalhadores, no Congresso Nacional e na sociedade. Essa situação colocará o governo sob o dilema de ampliar o acordo com o Centrão, estendendo ainda mais a frente ampla, ou partir para a mobilização de sua base social para se fortalecer politicamente. No primeiro caso deve aprofundar a pauta neoliberal, atendendo às demandas do capital não-bolsonarista, e se distanciando fortemente de concessões à classe trabalhadora. No segundo caso deve recorrer a uma mobilização controlada, apoiada na “chantagem do mal menor” e em medidas pontuais que lhe preserve apoio sobre setores significativos da classe trabalhadora, mas que não ameace negociações com amplos setores do capital e nem ouse reverter a pauta política e econômica do golpe de 2016. Em qualquer desses caos deverá preservar as relações com os BRICS e estreitar laços com a União Europeia, como contraponto ao isolamento diplomático hemisférico, em especial na América do Sul, o que pode interessar a determinados setores do capital. De todo modo, a crise político-institucional se mantém, com os atores políticos se comportando de maneira ofensiva para a disputa num cenário pós-Lula.


4) Por um movimento de eleição de Lula que acumule condições para mudanças radicais:


A atual correlação de forças, a dinâmica do processo político e os cenários futuros que se colocam no horizonte exigem que os trabalhadores e demais classes subalternas busquem se organizar e mobilizar de maneira urgente, autônoma, independente, plural e permanente, constituindo uma multiplicidade de articulações e iniciativas que envolvam organizações sociais, sindicatos, partidos, coletivos e indivíduos durante e depois do processo eleitoral. O movimento de luta pela eleição de Lula deve ser parte de um processo de mudança que implica na derrota da política de conciliação de classes que historicamente caracterizou os governos Lula e na reversão da pauta política e econômica do golpe de 2016. Portanto, para enfrentar os desafios que estão colocados é necessário que esta organização e mobilização se dêem não só pela derrota política e eleitoral do bolsonarismo, pela eleição de Lula e pela defesa do que resta de liberdades democráticas, mas também sobre uma base política antiautocrática, antineoliberal, pró-ambiental e anticapitalista! 


FORA BOLSONARO, FORA FASCISTAS! BORA LULA!

PELO FIM DA ESCALA 6X1! PELO FIM DAS POLÍTICAS DE AUSTERIDADE FISCAL!

POR POLÍTICAS DE ENFRENTAMENTO AO COLAPSO AMBIENTAL!

PELO FIM DO NEOLIBERALISMO E DA AUTOCRACIA BURGUESA!

PELO SOCIALISMO!


CONVOCATÓRIA PARA PLENÁRIA DA ESCOLA DE FORMAÇÃO SOCIALISTA – DIA 17/10/2026 – 9H